domingo, 2 de dezembro de 2007

"Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida. Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Como aliviar a dor do que não foi vivido?A resposta é simples como um verso:
"Se iludindo menos e vivendo mais"
Emilio Moura
(Poeta mineiro, amigo e aluno de Carlos Drummond de Andrade)
====Obrigada pelo texto Thathy===

Um comentário:

xistosa disse...

Mas a ilusão também é uma companhia.
talvez efémera ... talvez perene ...
Nós é que desenhamos os nossos caminhos e temos que desfrutá-los ao serem desbravados.
A vida são os momentos, bons, maus, felizes, chorosos, que sucessivamente se desenrolam.
Nem nos apercebemos que os dias passam ... temos algo compartilhado que nos distrai do tempo e temos tempo para o que queremos.
Acordar todos os dias, mesmo mal dormidos, já é um tónico para mais 24 horas.
Tem mesmo que ser assim ...
24 sobre 24 horas!
Façamos o que gostamos e não liguemos à sociedade que é pecaminosa como nós, mas que só nós somos castigados.